terça-feira, julho 14, 2009

Esta noite sonhei com o Mário Lino - por Miguel de Sousa Tavares

Segunda-feira passada, a meio da tarde, faço a A-6, em direcção a Espanha e na companhia de uma amiga estrangeira; quarta-feira de manhã, refaço o mesmo
percurso, em sentido inverso, rumo a Lisboa. Tanto para lá como para cá, é uma auto-estrada luxuosa e fantasma. Em contrapartida, numa breve incursão pela estrada nacional, entre Arraiolos e Borba, vamos encontrar um trânsito cerrado, composto esmagadoramente por camiões de mercadorias espanhóis. Vinda de um país onde as auto-estradas estão sempre cheias, ela está espantada com o que vê:

- É sempre assim, esta auto-estrada?

- Assim, como?

- Deserta, magnífica, sem trânsito?

- É, é sempre assim.

- Todos os dias?

- Todos, menos ao domingo, que sempre tem mais gente.

- Mas, se não há trânsito, porque a fizeram?

- Porque havia dinheiro para gastar dos Fundos Europeus, e porque diziam que o desenvolvimento era isto.

- E têm mais auto-estradas destas?

- Várias e ainda temos outras em construção: só de Lisboa para o Porto, vamos ficar com três. Entre S. Paulo e o Rio de Janeiro, por exemplo, não há nenhuma: só uns quilómetros à saída de S. Paulo e outros à chegada ao Rio. Nós vamos ter três entre o Porto e Lisboa: é a aposta no automóvel, na poupança de energia, nos acordos de Quioto, etc. - respondi, rindo-me. - E, já agora, porque é que a auto-estrada está deserta e a estrada nacional está cheia de camiões?

- Porque assim não pagam portagem.

- E porque são quase todos espanhóis?

- Vêm trazer-nos comida.

- Mas vocês não têm agricultura?

- Não: a Europa paga-nos para não ter. E os nossos agricultores dizem que produzir não é rentável.

- Mas para os espanhóis é?

- Pelos vistos...

Ela ficou a pensar um pouco e voltou à carga:

- Mas porque não investem antes no comboio?

- Investimos, mas não resultou.

- Não resultou, como?

- Houve aí uns experts que gastaram uma fortuna a modernizar a linha Lisboa-Porto, com comboios pendulares e tudo, mas não resultou.

- Mas porquê?

- Olha, é assim: a maior parte do tempo, o comboio não 'pendula'; e, quando 'pendula', enjoa de morte. Não há sinal de telemóvel nem Internet, não há restaurante, há apenas um bar infecto e, de facto, o único sinal de 'modernidade' foi proibirem de fumar em qualquer espaço do comboio. Por isso, as pessoas preferem ir de carro e a companhia ferroviária do Estado perde centenas de milhões todos os anos.

- E gastaram nisso uma fortuna?

- Gastámos. E a única coisa que se conseguiu foi tirar 25 minutos às três horas e meia que demorava a viagem há cinquenta anos...

- Estás a brincar comigo!

- Não, estou a falar a sério!

- E o que fizeram a esses incompetentes?

- Nada. Ou melhor, agora vão dar-lhes uma nova oportunidade, que é encherem o país de TGV: Porto-Lisboa, Porto-Vigo, Madrid-Lisboa... e ainda há umas ameaças de fazerem outro no Algarve e outro no Centro.

- Mas que tamanho tem Portugal, de cima a baixo?

- Do ponto mais a norte ao ponto mais a sul, 561 km.

Ela ficou a olhar para mim, sem saber se era para acreditar ou não.

- Mas, ao menos, o TGV vai directo de Lisboa ao Porto?

- Não, pára em várias estações: de cima para baixo e se a memória não me falha, pára em Aveiro, para os compensar por não arrancarmos já com o TGV deles para Salamanca; depois, pára em Coimbra para não ofender o prof. Vital Moreira, que é muito importante lá; a seguir, pára numa aldeia chamada Ota, para os compensar por não terem feito lá o novo aeroporto de Lisboa; depois, pára em Alcochete, a sul de Lisboa, onde ficará o futuro aeroporto; e, finalmente, pára em Lisboa, em duas estações.

- Como: então o TGV vem do Norte, ultrapassa Lisboa pelo sul, e depois volta para trás e entra em Lisboa?

- Isso mesmo.

- E como entra em Lisboa?

- Por uma nova ponte que vão fazer.

- Uma ponte ferroviária?

- E rodoviária também: vai trazer mais uns vinte ou trinta mil carros todos os dias para Lisboa.

- Mas isso é o caos, Lisboa já está congestionada de carros!

- Pois é.

- E, então?

- Então, nada. São os especialistas que decidiram assim.

Ela ficou pensativa outra vez. Manifestamente, o assunto estava a fasciná-la.

- E, desculpa lá, esse TGV para Madrid vai ter passageiros? Se a auto-estrada está deserta...

- Não, não vai ter.

- Não vai? Então, vai ser uma ruína!

- Não, é preciso distinguir: para as empresas que o vão construir e para os bancos que o vão capitalizar, vai ser um negócio fantástico! A exploração é que vai ser uma ruína - aliás, já admitida pelo Governo - porque, de facto, nem os especialistas conseguem encontrar passageiros que cheguem para o justificar.

- E quem paga os prejuízos da exploração: as empresas construtoras?

- Naaaão! Quem paga são os contribuintes! Aqui a regra é essa!

- E vocês não despedem o Governo?

- Talvez, mas não serve de muito: quem assinou os acordos para o TGV com Espanha foi a oposição, quando era governo...

- Que país o vosso! Mas qual é o argumento dos governos para fazerem um TGV que já sabem que vai perder dinheiro?

- Dizem que não podemos ficar fora da Rede Europeia de Alta Velocidade.

- O que é isso? Ir em TGV de Lisboa a Helsínquia?

- A Helsínquia, não, porque os países escandinavos não têm TGV.

- Como? Então, os países mais evoluídos da Europa não têm TGV e vocês têm de ter?

- É, dizem que assim entramos mais depressa na modernidade.

Fizemos mais uns quilómetros de deserto rodoviário de luxo, até que ela pareceu lembrar-se de qualquer coisa que tinha ficado para trás:

- E esse novo aeroporto de que falaste, é o quê?

- O novo aeroporto internacional de Lisboa, do lado de lá do rio e a uns 50 quilómetros de Lisboa.

- Mas vocês vão fechar este aeroporto que é um luxo, quase no centro da cidade, e fazer um novo?

- É isso mesmo. Dizem que este está saturado.

- Não me pareceu nada...

- Porque não está: cada vez tem menos voos e só este ano a TAP vai cancelar cerca de 20.000. O que está a crescer são os voos das low-cost, que, aliás, estão a liquidar a TAP.

- Mas, então, porque não fazem como se faz em todo o lado, que é deixar as companhias de linha no aeroporto principal e chutar as low-cost para um pequeno aeroporto de periferia? Não têm nenhum disponível?

- Temos vários. Mas os especialistas dizem que o novo aeroporto vai ser um hub ibérico, fazendo a trasfega de todos os voos da América do Sul para a Europa: um sucesso garantido.

- E tu acreditas nisso?

- Eu acredito em tudo e não acredito em nada. Olha ali ao fundo: sabes o que é aquilo?

- Um lago enorme! Extraordinário!

- Não: é a barragem de Alqueva, a maior da Europa.

- Ena! Deve produzir energia para meio país!

- Praticamente zero.

- A sério? Mas, ao menos, não vos faltará água para beber!

- A água não é potável: já vem contaminada de Espanha.

- Já não sei se estás a gozar comigo ou não, mas, se não serve para beber, serve para regar - ou nem isso?

- Servir, serve, mas vai demorar vinte ou mais anos até instalarem o perímetro de rega, porque, como te disse, aqui acredita-se que a agricultura não tem futuro: antes, porque não havia água; agora, porque há água a mais.

- Estás a dizer-me que fizeram a maior barragem da Europa e não serve para nada?

- Vai servir para regar campos de golfe e urbanizações turísticas, que é o que nós fazemos mais e melhor.

Apesar do sol de frente, impiedoso, ela tirou os óculos escuros e virou-se para me olhar bem de frente:

- Desculpa lá a última pergunta: vocês são doidos ou são ricos?

- Antes, éramos só doidos e fizemos algumas coisas notáveis por esse mundo fora; depois, disseram-nos que afinal éramos ricos e desatámos a fazer todas as asneiras possíveis cá dentro; em breve, voltaremos a ser pobres e enlouqueceremos de vez.

Ela voltou a colocar os óculos de sol e a recostar-se para trás no assento. E suspirou:

- Bem, uma coisa posso dizer: há poucos países tão agradáveis para viajar como Portugal! Olha-me só para esta auto-estrada sem ninguém!

sexta-feira, maio 22, 2009

SOMOS TETRACAMPEÕES



No Domingo não vou poder lá estar, por razões de força maior, mas vou concerteza ter lá o meu representante que vai mais uma vez sentir a alegria do que é ser Portista.

Não considero que foi um campeonato fácil, tivemos uma equipa em construção e o Prof. Jesualdo Ferreira calou-nos e nem sequer lhe demos sempre o nosso apoio, embora sendo incapaz de assobiar a minha equipa do coração, custou-me ver que a equipa nas alturas que mais precisava de apoio não o teve, eu prefiro manter o meu silêncio não enervar aqueles que já estão enervados, mas o treinador soube dar a volta por cima e mostrar aos adeptos que merece ser o treinador desta boa e jovem equipa, pelo menos mais um ano, mas se o justificar porque não mais anos?

Estou a passar um cheque em branco a um homem que trouxe para a equipa jogadores como Fernando, Rolando, Sapunaru, Cissoko, Hulk, Mariano entre outros, jogadores que em parte era para aquecer o banco e que provaram ter valia para jogarem na nossa equipa. Por isso Domingo o Estádio do Dragão vai estar cheio de Portistas no banco adversário vai estar o homem que é cobiçado pelos Lampiões e que se fala vem para o Dragão, mas sinceramente eu não acredito que Pinto da Costa cometa essa injustiça para com o Jesualdo Ferreira.

Fala-se na saida de jogadores se sairem sòmente Bruno Alves e Lizandro Lopez, compreendo porque o FCP precisa de vender para equilibrar contas, para não fazer parte da pouca vergonha que é ter ordenados em atraso, mas que vou ter pena, vou.

Sejam ao menos bem vendidos, outros ocuparão esses lugares.

Agora uma palavra para os derrotados principalmente para lampiões e capachos que tudo fizeram para nos colocarem injustamente fora Liga dos Campeões, se estão com azia recomendo-lhes o anti-azia que abaixo envio.





VIVA O FUTEBOL CLUBE DO PORTO
VIVA O TETRACAMPEONATO
VIVA OS ATLETAS E EQUIPA TECNICA
VIVA PINTO DA COSTA

segunda-feira, maio 11, 2009

SOMOS TETRACAMPEÕES

Aí está o pretendido, para aqueles que não estavam convencidos, finalmente o TETRACAMPEONATO



Isto é o que acontece àqueles atletas que não foram apoiados nos seus clubes anteriores e que no FCP brilharam.

quinta-feira, maio 07, 2009

AS ÓPTIMAS NOTICAS TAMBÉM APARECEM





Se existem dias bons este é um desses, acabo de receber a noticia que me vai deixar babado por toda a minha vida.

VOU FINALMENTE SER AVÔ

Ao Feliz Casalinho, eu envio-lhes os meus parabéns e um obrigado do fundo do meu coração por me fazerem tão feliz.

domingo, maio 03, 2009

DIA DA MÃE




Eu, hoje já compri a minha obrigação, mas não queria deixar de enviar um beijo para todas as mães do Mundo.

VJ

sábado, maio 02, 2009

A AMIZADE VALE MUITO NESTES MOMENTOS

Não têm sido poucos os meus amigos que me têm telefonado a perguntar se eu estou nesta trapalhada.

A todos eles eu disse que vou colocando neste meu espaço noticias sobre o mesmo assunto.

Ao fim de 33 anos de trabalho, a dama cuja camisola eu vesti, mandou-ma tirar só me resta tirá-la com dignidade e ter a chamada compensação correcta por tudo o que fiz ao longo destes anos.

A minha experiência de vida manda-me ir para outra, a ver vamos.

Entretanto vou vestindo a camisola que nunca despi, a do Futebol Clube do Porto.

Abraço e agradecimento a todos aqueles que manifestaram a sua solidariedade, quer por telefone quer pessoalmente, como se diz OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES.

VJ

quinta-feira, abril 30, 2009

quarta-feira, abril 29, 2009

Noticia no JN

Coats & Clark manda 127 para desemprego

INÊS SCHRECK


A Coats & Clark vai despedir 127 funcionários dos cerca de 200 que trabalham na fábrica de Gaia. A empresa, que produz linhas de costura, alega "forte quebra da procura", mas o sindicato diz que está a deslocalizar a produção.

Os 127 trabalhadores afectados pelo despedimento colectivo receberam a comunicação na semana passada. Ontem, realizou-se um plenário, no qual foi eleita uma comissão de acompanhamento do despedimento colectivo para representar os trabalhadores não sindicalizados.

As negociações com a empresa deverão começar a 5 de Maio, mas "ninguém acredita que seja possível reverter a situação. Resta a esperança de conseguir negociar as melhores condições de saída", afirmou, ao JN, Palmira Peixoto, dirigente do Sindicato dos Textêis do Porto.

Em resposta ao JN, a administração da Coats Portugal justifica o despedimento com "uma forte quebra [nos últimos anos] provocada pela diminuição da procura dos produtos, o que tem levado a um desequilíbrio económico-financeiro, com perdas económicas significativas".

O sindicato tem uma interpretação diferente. "A fábrica tem cerca de 200 trabalhadores, vão ser despedidos 127 e apenas oito ficam afectos à produção", diz Palmira Peixoto, convencida de que a empresa está a deslocalizar a produção para a Hungria.

"Acho que até ao final do ano vão fechar toda a produção e ficar só com a comercialização da marca em Portugal", acrescentou a dirigente sindical.

A multinacional inglesa, instalada na Quinta de Cravel, em Gaia, já empregou cerca de dois mil trabalhadores. Dedica-se à produção de linhas de costura industrial e fabrica as conhecidas linhas de crochet "Âncora" e "Corrente".

Ao longo dos anos foi rescindindo, por mútuo acordo, com os trabalhadores - "pagando mais do que a lei previa" - chegando aos 200. Alertada para a redução de pessoal na Coats & Clarks, em Março do ano passado, a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo questionou o Parlamento Europeu sobre os apoios que a empresa recebeu em Portugal e eventuais subsídios noutros países da União Europeia.

O Parlamento respondeu alegando que a empresa recebeu fundos no valor de cerca de 115 mil euros para apoiar acções de formação profissional. Sobre apoios noutros países, a comissão disse não estar em condições de responder

domingo, abril 05, 2009

APITO DOURADO

Quando esta borrada começou, começei a duvidar dos motivos que levaram a esta vergonha, agora que terminou posso dizer que a corrupção não está no futebol, mas sim na cabeça de alguns mal intencionados e chicos espertos que diáriamente não fazem mais que lavar a cabeça dos mais fracos.

A necessidade de desviar atenções criou o apito e atrás dessa necessidade, juntaram-se fiscalistas que ajudaram o corruptor mor a ser rico, magistrados que estavam na prateleira e que foram ajudados a voltar ao activo, empregadas de alterne que depois de algumas mordomias cuspiram no prato que serviu para se alimentarem.

Pelo meio jornalistas de merda, comentadores cornudos, mouros com mentes lavadas todos ajudaram à missa.

Pinto da Costa e o Futebol Clube do Porto sairam desta luta porca de uma forma airosa, agora resta-nos ter o Presidente a que nos habituamos, lutador, falador, provocador e então sim, ninguém nos calará.

VJ

EMERGENCY ROOM - ER




Há já alguns anos que fui seguindo sempre que possivel esta série.
Um dia resolvi rever todos os episódios de todas as seasons e não houve série que eu seguisse com tanta fidelidade como esta.

Seguir John Carter, Mark Green, Doug, Peter entre outros foi concerteza uma forma de eu passar uns bons momentos, viver todos os dias dentro de uma urgência hospitalar com todas as tristezas, alegrias foi concerteza o que me levou a ver 15 seasons com 22 episódios cada, ao longo de mais ou menos 15 anos.

A última season foi a das recordações, voltaram a ver~se os artistas que iniciaram a série, pelo menos os mais importantes, mas valeu a pena chegar ao fim.

É das séries que mais pena me deixa porque habituei-me a ela, fez durante estes anos parte da minha vida, mas foi bom de ver o final.

VJ